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Não tenha medo da evolução, nós já vimos esse filme antes.

By Luciane Dos Santos

Estamos vivendo um “período incrível”. Essa expressão mostra que temos dificuldade para acreditar que o que estamos passando é real.

A palavra “incrível” indica, na maior parte das frases onde é usada, o quanto a nossa observação da realidade está limitada. Somos iludidos pelo pensamento que irá acontecer somente o que é possível, não acreditamos que o mundo possa ir além do que vemos e queremos.

Então, nos assustamos quando algo de inusitado se apresenta. Não gosto de comentar profecias catastróficas ou coisas assim, por isso, interpreto os últimos acontecimentos com uma visão racional, no modo mais lógico, biológico e matemático, possível.


Quando olhamos para a história, constatamos que os eventos se repetem ciclicamente, deixando um rastro de dor e muitos ensinamentos.

As pandemias e catástrofes enfrentadas na história foram muitas, como a peste negra, por exemplo, que no século XIV dizimou a população da Europa e gerou um pânico muito parecido ao que vivemos agora. Outro evento difícil de acreditar que tenha acontecido, foi a Segunda Guerra Mundial, onde oitenta e cinco milhões de pessoas perderam a vida. Não podemos deixar de observar, porém, que eventos assim nos trouxeram avanços tecnológicos e comportamentais, que hoje fazem parte das nossas vidas.

Só para exemplificar, a Segunda Guerra Mundial nos trouxe o forno micro-ondas, fitas adesivas, as batatas fritas embaladas, a penicilina, o tubo de pasta de dentes, as mochilas, a sacarina, o teflon, os telefones sem fio, o café solúvel e assim por diante.

Já as pestes nos ensinaram noções de higiene básicas, além de impulsionar as pesquisas na medicina e na ciência em geral.

NÃO TENHA MEDO DA EVOLUÇÃO, NÓS JÁ VIMOS ESSE FILME ANTES.

Em cada movimento de “ameaça à espécie”, o ser humano experiencia o medo e aprende mais profundamente o cuidar de si e do planeta com respeito. Talvez demore ainda muito tempo para alcançarmos um projeto de humanidade em que nossos potenciais estejam finalmente ampliados ao máximo, mas o importante, agora, é não cessar o processo de aprendizagem.

Agora, temos uma oportunidade de observar de perto nossas vidas mudarem drasticamente, com o temido Covid-19. Além do medo da morte, que indica a falta de visão eterna na qual vivemos, estamos redescobrindo a importância de pequenas coisas que antes nem ligávamos.

O isolamento nos leva a modificar a visão em relação a alguns seres humanos e suas atividades, por exemplo.

Estamos aprendendo a valorizar os operadores sanitários que limpam a nossa cidade, entregadores que nos permitem não sair de casa, enfermeiros, médicos e socorristas, que arriscam a vida para que outros vivam e assim por diante. Muitos deles sem ter outra opção. Ser cidadão consciente e agir pelo bem de todos, acaba por não ser mais uma simples opção de civismo, mas uma necessidade “biossocial”.

Confinados em quarentena, na terceira década do terceiro milênio, experimentamos nossos talentos, cozinhando, limpando casa e gavetas, terminando o que foi começado... O silêncio nos permite escutar e, então, cantamos.

Não é preciso morrer para aprender a lavar as mãos corretamente ou tirar os sapatos usados na porta de casa. Nem todos havíamos percebido ainda, quanto os carrinhos do supermercado, a carteira, as chaves de casa, o mouse do PC, sem falar no dinheiro são "sujos”.

Em meio a tudo isso, pessoas morrem. Mas pessoas sempre morrem. O contato com a nossa mortalidade é também um importante aspecto a ser curado, pois, é inútil temer o inevitável. Eu prefiro continuar acreditando em coisas incríveis e fazer a minha parte na construção de um mundo melhor, para que no futuro menos pessoas sofram com os erros do presente.

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